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TAP: greve e privatização

a 13 de Dezembro de 2014

A greve dos trabalhadores da TAP é chata para as pessoas que precisam de viajar nos dias em causa após o Natal? É.

Mas se os trabalhadores só fizessem greve quando dá jeito a todos os outros, ela nunca era feita. Se não aceitam isto, então não me venham dizer que são a favor do direito à greve, porque não são.

O argumento que os trabalhadores grevistas estão a colocar o interesse deles à frente do interesse nacional, ou da maioria, é interessante mais uma vez e apenas válido se for assumido que a privatização é o melhor para a TAP e para o país. Essa permissa não está provada que é verdadeira, como tal nada se pode concluir de uma argumentação que a use.

Também fica a nota que a greve é realizada após o Natal, não antes.

Agora vamos aos factos sobre a empresa.

O negócio da aviação da TAP dá lucros há já vários anos [1][2][3][4], amortizando dívida ano após ano [5]. Agora a TAP SGPS S.A. é um grupo, que detém várias subsidiárias [6][7].

Uma dessas subsidiárias, TAP Manutenção e Engenharia Brasil S.A., foi adquirida à Varig quando esta faliu em 2005/2006 [8]. Esta empresa, que se dedicava quase exclusivamente à manutenção da frota da Varig [9], viu esse volume de negócios cair a pique após a venda e apresentou sempre dívidas desde então [10], de dezenas de milhões de euros, que obviamente arrastam o grupo para o vermelho. Seria interessante ser investigado o porquê desta compra, mas se calhar os argumentos que seriam apresentados teriam tanta sustentação factual como os que li sobre a privatização (e assumo que posso não ter lido todos).

Agora, privatização. Porquê? Não tive ainda acesso a dados, nem vi explicações lógicas e racionais, que sustentem o argumento que a privatização é o melhor.

O Ministro da Economia, António Pires Lima, e passo a citar, «assumiu que a venda da companhia é uma questão de “convicção”. A convicção de que, estando privatizada, terá uma “gestão mais competitiva”, por deixar de estar sujeita às regras das empresas públicas, que têm limitado o seu crescimento por impedirem, por exemplo, a contratação de trabalhadores sem autorização das Finanças. E, por outro lado, a convicção de que “precisa de capital para se desenvolver”» [12]. Isto para mim não é forma de sustentar a opção de privatização e agradecia que me indicassem outras linhas de pensamento ou estudos com dados e previsões sustentadas por dados globais.

Se a razão for reduzir o défice do OE, não faz qualquer sentido vender um grupo onde a parte centra do negócio é lucrativa e que certamente nas mãos privadas vai gerar dividendos para os seus accionistas.

Se é bom para um privado, porque não o é para o Estado? Quando os anéis estiverem todos vendidos, a riqueza toda a ser explorada por privados, não raras vezes repatriando grande parte dos ganhos para os seus países de origem, o que vão os nossos Ministros das Finanças fazer? Claro está que se vão desfazer de serviços públicos como o SNS, Pensões da Seg. Social, etc, empurrando-nos todos para um sistema ao estilo estado-unidense, que todos sabemos ser uma vergonha empurrando milhões para o endividamento, quando não a morte.

Por tudo isto os trabalhadores têm duas opções: calarem-se ou fazerem alguma coisa. Fizeram alguma coisa dentro dos seus direitos laborais.

O que mais me choca é a falta de transparência em todo o processo de privatização. Sim, a privatização da TAP estava no programa de Governo do PSD (e aqui estou já a assumir que todas as pessoas que votaram no PSD o leram), mas o PSD não teve maioria Parlamentar para formar um governo maioritário, e o CDS não tinha a privatização no seu programa eleitoral de 2011. Como tal, e ignorando a abstenção, esta decisão, tal como muitas outras, está ferida de legitimidade democrática. Não houve sessões de esclarecimento nacionais para justificar a mesma baseada em dados e argumentos bem formados. O Governo toma uma opção, usa argumentos sem os sustentar e pronto. Isto não é forma de tomar decisões destas, mas as pessoas parece estarem habituadas. É uma espécie de feudalismo intelectual.

[1] – http://www.tapcorporate.com/Portugal/pt/Novidades/Noticias/308/TAPSAVoltaAosLucrosCom57MilhoesDeEuros/Det

[2] – http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1798069

[3] – http://www.tapportugal.com/PressRelease/pt/lucros-de-159-milhoes-em-2012-foram-superiores-aos-de-2011

[4] – http://www.publico.pt/economia/noticia/negocio-de-aviacao-da-tap-com-lucros-de-214-milhoes-em-2012-1590583

[5] – http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/tap_amortiza_mais_de_150_milhoes_de_euros_de_divida_em_2013.html

[6] – http://www.tapportugal.com/Info/en/about-tap/tap-group/shareholders

[7] – http://pt.wikipedia.org/wiki/TAP_Portugal#Subsidi.C3.A1rias

[8] – http://pt.wikipedia.org/wiki/Varig_(1927_-_2006)#Crise_e_recupera.C3.A7.C3.A3o

[9] – http://www.dinheirovivo.pt/Empresas/interior.aspx?content_id=3904377

[10] – http://economico.sapo.pt/noticias/negocio-da-tap-no-brasil-ja-deu-prejuizos-de-208-milhoes_142281.html

[11] – http://www.publico.pt/economia/noticia/prejuizos-da-tap-caem-para-seis-milhoes-em-periodo-de-incertezas-sobre-privatizacao-1634429

[12] – http://www.publico.pt/economia/noticia/o-estado-nao-pode-por-dinheiro-na-tap-diz-o-ministro-da-economia-sera-mesmo-assim-1678549

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Fim da recessão e da escalada do desemprego?

a 10 de Dezembro de 2013

Tenho lido e ouvido muito optimismo relativamente aos últimos indicadores económicos, o crescimento mas também os números de criação de emprego assim como taxa de desemprego.

Não partilho desse optimismo. Não porque quero o mal para o país, antes pelo contrário, mas porque acho prematuro qualquer análise sobre o significado destes números e a manutenção da evolução positiva.

Penso desta forma porque os números dizem respeito ao 2º e 3º trimestre de 2013, não ao corrente, isto é, dizem respeito a uma época de tradicional melhoria desses números e que poderá ter recebido um empurrão do trabalho temporário (hipótese – pessoas que tendo ficado desempregadas no final de 2012, tenham conseguido emprego temporário para dar resposta à habitual procura nesses meses, isto paralelamente à habitual criação de emprego sazonal). Ignoro a forma como a taxa de desemprego é calculada (quem conta e não conta para os números), mas seria interessante saber se existem subterfúgios para deflacionar artificialmente a mesma (e para isso há que ver os critérios usados no seu cálculo – com indicação da referência da fonte dos mesmos para não haver dúvidas).

Depois temos ainda a emigração (e quebra da imigração), que saberemos melhor como evoluiu em 2013 depois do final do ano.

Não faço previsões, deixo o tarot e a astrologia económica para os entendidos. Uma máxima que aprendi é que podemos acertar aproximadamente, ou errar com precisão (parece que os gurus do Banco de Portugal e do Min. das Finanças preferem a última opção).

Por isso antes de lançarmos os foguetes, esperemos pelos números referentes ao último trimestre de 2013, possivelmente até ao primeiro de 2014, e aí sim podemos tirar conclusões relativamente a tendências de médio-longo prazo.

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Finalmente – “Certificados do Tesouro Poupança Mais”

a 10 de Outubro de 2013

Chegaram tarde, mas mais vale tarde que nunca.

Segundo resolução do Conselho de Ministros, onde foi aprovado a 19 de Setembro, no primeiro ano a taxa anual bruta será de 2,75%, subindo para 3,75% no segundo e 4,75% no terceiro ano. Nos dois últimos, ou seja, até ao quinto ano, a rendibilidade é de 5%. A taxa média, sem considerar eventuais bonificações em função do PIB, ascende a 4,25%.

Novo produto de aforro do Estado paga taxas até 5% @ Jornal de Negócios

Já no passado, a
5 de Julho de 2012, tinha escrito “Exercer o dever cívico – Bilhetes do Tesouro“, mas demorou…

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40 anos – 11 de Setembro de 1973

a 11 de Setembro de 2013

Há 40 anos atrás a 11 de Setembro de 1973 era bombardeado, por canhões do Exército e aviões da Força Aérea Chilena sob controlo do General Pinochet (esse grande amigo de Thatcher, esse estadista a quem Friedman não teve qualquer problema prestar consultoria nas políticas económicas, esse criminoso que nunca foi julgado pelos seus crimes), o Palácio de La Moneda.

Para além da morte de Salvador Allende, eleito democraticamente, causada pela invasão do mesmo e ainda hoje alvo de discussão sobre se realmente se suicidou ou foi abatido, perderam-se no incêndio tesouros chilenos de valor inestimável, como a Acta de Independência do Chile datada de 1818 (nada que perturbasse as forças ditatoriais, os factos históricos sempre fora um impecilho à sua propaganda, pois relebram as pessoas do passado).

Sim, havia uma crise no Chile na altura. Mas esta foi uma crise planeada pela CIA e executada grupos privados que detinham os meios de produção, distribuição e serviços. Aliás, a táctica é sobejamente conhecida nos países da nova onda socialista da América Latina. Sempre que lerem notícias a dizer que faltam bens essenciais nos supermercados e a situação se mantém semana após semana, desconfiem. Há a possibilidade bem grande destes estarem a ser retidos nos armazéns para criar um clima de instabilidade social essencial a um golpe de estado. Quando se controla os meios de produção e distribuição, é fácil levar um país ao tapete.

Não é portanto de estranhar que países como a Venezuela estejam a apostar fortemente na criação de cooperativas de produção agrícola e transformação de alimentos (que dando lucro, asseguram a distribuição da sua produção) mas também fábricas de electrodomésticos básicos (mais baratos, para que todos possam ter a sua máquina de lavar, a sua televisão, o seu computador, o seu frigorífico, deixando as gamas mais altas para a iniciativa privada) e a investir também na produção de energia (incluíndo centrais móveis que se pode deslocar fluvialmente para zonas afectadas por desastres naturais).

Esta estratégia começa a dar resultados e não se terá que esperar muito até que se comece a satisfazer a nova procura das massas outrora indigentes, que até comida de cão comiam por não terem dinheiro para mais (só para ver os grandes grupos privados aumentar o preço da mesma). Quanto aos abusos, basta ler as últimas notícias sobre a quantidade de dirigentes e gestores afectos à coligação do Governo que estão a ser detidos por corrupção e a ser julgados em tribunal (mas ai se eles se atrevem a acusar de corrupção alguém da oposição, especialmente do principal partido/coligação, que são logo acusados de perseguição política, oposição aliás que boicota muitos dos programas de desenvolvimento social e económico nas municipalidades que controla, não os dando a conhecer à população).

Está-se a aprender com os erros do passado na América Latina. Eles procuram o equilíbrio entre iniciativa privada, comunal (socialista) e estatal. Estão também a garantir que seja mais difícil aos “gringos”, o “Gangue de Nova Iorque” (nomes usados nesses países para classificar a CIA e outros agentes destabilizadores regionais que vêm dos EUA), usarem as mesmas tácticas que foram usadas no passado para facilitar os golpes de estado que só beneficiam as oligarquias nacionais e estrangeiras e que durante décadas roubaram os povos da América Latina das suas riquezas, tanto naturais que extraem das suas terras e águas, como as que produzem nas suas fábricas.

Hoje fala-se muito do 11 de Setembro de 2001, mas é bom lembrar o de 1973 e os infames actos cometidos pelos seus delfins. Alguns dias depois apareceu a Caravana da Morte, mas isto foi apenas o início. Em 1975 começava, pelo menos oficialmente, a Operação Condor na América Latina.

Leiam sobre isso e de como mesmo simpatizantes destes traidores eram eles mesmo presos por serem demasiado brandos para com os seus prisioneiros, os seus alvos. Onde aprenderam eles as técnicas de tortura e execução que deviam ser usadas? Na Escola das Américas, criada e mantida pelo Governo dos EUA.

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Síria e os ataques com armas químicas

a 27 de Agosto de 2013

Em Maio de 2013 rebeldes Sírios das facções extremistas religiosas foram presos na Turquia tendo em sua posse cilindros com vários quilogramas de gás Sarin. Isto foi noticiado pela Reuters e Russia Today [1]. Pouco se lê sobre este facto nos orgãos de informação e nas conferências de imprensa dos EUA, Reino Unido e França.

Desde que a Síria tem apoio do Irão (treino em tácticas urbanas e outras) e Hezbollah (treino e homens, sendo que as brigadas enviadas no sul do país praticamente não sofreram baixas e tiveram grandes avanços no terreno, segundo testemunhos em 2a mão que me foram dados), que as Forças Armadas Sírias têm conseguido vitória atrás de vitória, tendo a iniciativa e tendo colocado o FSA e restantes facções rebeldes em dificuldades, até porque o apoio popular aos rebeldes é reduzido (há muita gente na Síria que pode não gostar do regime actual, mas depois de terem convivido com os rebeldes, gostam deles ainda menos que o regime).

Como tal, os únicos a ganhar com o uso de armas químicas são as forças rebeldes, especialmente as extremistas que ganham poder com o caos, não com a ordem.

Assim sendo, tudo indica que quem tem usado armas químicas, foram os rebeldes, não o regime de Assad, exactamente para tentar justificar uma ignóbil e lunática intervenção militar por parte da NATO, mais propriamente os irresponsáveis EUA, Reino Unido e França, que não contentes com a borrada que fizeram na Líbia, querem agora, com a Arábia Saudita, também fazer o mesmo na Síria.

Mas se a Líbia era um país relativamente independente e com um estilo próprio, a Síria tem uma relação mais tradicional com a Rússia e Irão, assim como uma importante base militar naval Russa. Isto é perigoso. Para além disto, a Síria terá neste momento armamento bem mais moderno que a Líbia e potencialmente capaz de atingir os navios e bases no Mediterrâneo de onde poderão ser lançados os ataques.

Especulando bastante (sendo especulação a palavra chave), não podemos colocar de parte que possam até ter pequenas brigadas infiltradas nos principais países que estão a planear a agressão e possam mesmo fazer pequenos ataques (morteiros) a bases militares nos mesmos.

Algo que se deve também ter em conta, para não se vir comentar indignado após as ocorrências, é que a Síria tem sempre avisado que nunca usará armas químicas contra a sua população, mas que em caso de ataque por parte de forças externas ao país, essas mesmas armas poderão ser usadas contra o agressor.

Esperemos que os EUA, Reino Unido e França se deixem dos planos lunáticos de bombardeamento de alvos militares na Síria e colaborem mais com a Rússia em tentar, pelo menos, sentar o Governo Sírio (que já se demonstrou disponível) à mesa com os rebeldes (FSA, já que os extremistas duvido que o façam).

[1]  –

http://rt.com/news/sarin-gas-turkey-al-nusra-021/

http://www.reuters.com/article/2013/05/30/us-syria-crisis-turkey-idUSBRE94T0YO20130530

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Um D. Dinis para secar os pântanos e um Robespierre …

a 5 de Agosto de 2013

Um D. Dinis para secar pântanos e um Robespierre para guilhotinar a nobreza que ainda reina em Portugal…

Os iluminados reis de Portugal (não todos, e à medida que as dinastias progrediam, cada vez menos) que foram aparecendo sempre lutando contra o poder feudal da nobreza em protecção do povo (sem o qual não havia Portugal e que sempre foi a classe que defendeu a soberania mesmo quando os nobres alinhavam pelos interesses estrangeiros, especialmente dos nossos vizinhos), hão-de estar a dar umas belas voltas nos seus túmulos.

É triste quando cada vez mais me parece que isto precisa é de um punho de ferro que bata nesta mesa pantanosa em que se tornou Portugal e ponha termo a esta pouca vergonha de corrupção e de colocar o Estado ao serviço dos interesses privados, especialmente dos grandes grupos, alguns dos quais podemos seguir o seu trilho até às famílias nobres ou burguesas anteriores à República que viviam à custa da exploração do povo e do país (em constante bancarrota), em vez de ser ao serviço do Povo que o elege.

Que ponha fim à pobreza de espírito, corrupção e roubo que reina em demasiadas das mais básicas formas de poder (do local ao institucional), onde demasiadas pessoas exercem os seus cargos frequentemente para proveito dos seus negócios e não para proveito das comunidades.

Que acabe com esta cultura superficial e idiotificante que dá mais importância aos reality shows, telenovelas e mexericos que à aprendizagem, ao empreendedorismo, ao fazer algo produtivo e constante melhoria do seu conhecimento e capacidades, ao cooperativismo (sem trabalho em equipa tudo cai, o individualismo é o caminho para a miséria geral) onde TODOS dão o litro e TODOS são recompensados justamente (e quem não dá o litro obviamente que não o é).

Não é preciso um punho de ferro, tudo depende de cada um de nós. Da nossa humildade, espírito trabalhador e de comunidade, nação e cooperação. Mas isto ou vai lá a bem ou vai lá a mal e cada dia que passa está pedir que isto vá lá a mal.

Há que secar os pântanos, guilhotinar os nobres e colocar o Estado Português ao serviço de todos e não a roubar a todos para o dar aos nobres.

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Ainda sobre a reacção de Dilma aos protestos no Brasil

a 18 de Junho de 2013

“Os que foram ontem às ruas deram uma mensagem direta ao conjunto da sociedade, sobretudo aos governantes de todas as instâncias. Essa mensagem direta das ruas é por mais cidadania, por melhores escolas, melhores hospitais, postos de saúde, pelo direito à participação. Essa mensagem direta das ruas mostra a exigência de transporte público de qualidade e a preço justo. Essa mensagem direta das ruas é pelo direito de influir nas decisões de todos os governos, do Legislativo e do Judiciário. Essa mensagem direta das ruas é de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público“, afirmou.

A “mensagem direta das ruas”, disse, comprova o valor da participação dos cidadãos em busca de direitos. “E eu vou dizer aos senhores: a minha geração sabe quanto isso nos custou”, afirmou.

Dilma afirmou que o Brasil “tem orgulho” dos manifestantes, ressaltou o “caráter pacífico” dos atos de protesto e elogiou a atuação das forças de segurança, embora tenha condenado os “atos isolados” de violência.

in Globo

Agora ir ver o discurso do Primeiro Ministro Turco e veja-se as diferenças…

Foi graças ao trabalho do PT de Dilma que houve na última década uma evolução social e económica galopante no Brasil, com dinheiro a ser canalizado para a saúde [1], educação [2] e projectos sociais [3] como nunca antes tinha sido. É claro que ainda há muito a fazer, muitos problemas a resolver, mas as pessoas esperam que isso seja resolvido da noite para o dia?

Foi por muita gente ter sido elevada da mais abjecta pobreza que hoje, de cabeça erguida e minimamente alimentados, podem reflectir, ter pensamento crítico e ambicionar a uma vida ainda melhor, assim como sair à rua para manifestar o seu descontentamento com certas situações. Têm todo o direito, e até dever (dever esse que em Portugal é olhado de lado por muitos, se calhar é por isso que estamos onde estamos) de o fazer, para melhorar o país e pressionar quem Governa a corrigir os erros, algo que quem Governa parece estar atento e a querer fazer.

[1] – «Segundo a OMS, no Brasil a parcela do orçamento federal destinada à saúde (em torno de 8,7%) também é menor, inclusive, do que a média dos países africanos (10,6%) e a média mundial (11,7%). Dez anos atrás, no entanto, a situação era ainda pior: apenas 4,7% dos gastos públicos eram investidos na saúde.»
– http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,gasto-per-capita-do-brasil-com-saude-e-menor-que-media-mundial-,1032260,0.htm

[2] – «O Brasil apresentou uma das maiores taxas de crescimento em gastos públicos com educação no período de 2000 a 2009, entre as nações avaliadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)»

[3] – http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/06/dilma-rouseff-diz-que-governo-expandira-programas-sociais-no-brasil-4158719.html
– http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,veja-os-principais-programas-sociais-do-governo-lula,130446,0.htm
– http://www1.folha.uol.com.br/poder/1231695-programas-sociais-deixam-25-milhoes-de-miseraveis-de-fora.shtml

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Situação brasileira vista por um colunista do El País

a 18 de Junho de 2013

Artigo de opinião (traduzido para Português) de um colunista do El País sobre os actuais protestos no Brasil.

https://thomselistre.wordpress.com/2013/06/17/por-que-o-brasil-e-por-que-agora-juan-arias/

Julgo que a análise que ele faz, do porquê da existência deste protesto, acertam na mouche e estão em sintonia com a reacção que o Governo Brasileiro está a ter, com o Ministro da Justiça a condenar a violência policial [1] e a Presidente Dilma a considerar os protestos legítimos e normais em democracia [2].

É grande o contraste quando comparada com a reacção do Governo Turco que temos vindo a assistir na última semana…

[1] – http://www.otempo.com.br/capa/brasil/ministro-da-justiça-condena-ação-policial-durante-protestos-1.664532

[2] – http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/06/dilma-considera-manifestacoes-legitimas-afirma-ministra.html

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Duas notas sobre a greve dos professores

a 18 de Junho de 2013

Duas notas sobre a greve dos professores, que sendo eu humano, poderão sofrer de falta de informação ou alguma falácia.

1. Venho demonstrar a minha surpresa pela forma como o Ministério lidou com toda esta situação. Do ponto de vista estratégico esta foi das piores decisões que podiam ter tomado.

Faria a meu ver (e posso estar errado) mais sentido, dada toda a conjuntura actual e a natureza de alguma das medidas contra as quais a greve está a ser feita, o Governo ter na 6a Feira assumido que não poderia salvaguardar que todos os alunos iam conseguir fazer os exames, adiando os mesmos para a data que tinha vindo a ser falado no fim-de-semana.

Quando digo assumir seria fazê-lo nas reuniões e vir a público comunicar o mesmo, assumindo a eficácia da greve e que como tal para bem dos alunos iriam escolher nova para os exames de hoje.

Porquê? Porque isto demonstraria que realmente estava, pelo menos no que toca aos exames, preocupado com os alunos e todo o stress que rodeia esta época, dando uma data para a qual seria impossível entregar um pré-aviso de greve e colocando nos sindicatos uma pressão relativamente à data de futuras greves (caso adiasse a publicação dos resultados da 1a fase, seria pior e colocaria em risco os possíveis prazos de candidaturas para universidades estrangeiras).

2. Apoiando a greve dos professores, porque há razões relacionadas com a pedagogia e a dignidade laboral para tal, também do ponto de vista estratégico, seria agora pouco eficiente e bastante prejudicial para a imagem dos professores que fosse marcada outra greve que perturbasse a época de exames e o lançamento das classificações.

Fará mais sentido, porque não estou a ver o Governo a voltar atrás, marcar mais manifestações (vários dias se preciso) e começar já a planear uma greve de zelo por tempo indeterminado para o próximo ano lectivo.

Esta greve de zelo implicaria:

  • não levar nenhum trabalho para casa;
  • exigir condições materiais para poderem trabalhar na escola (preparar aulas, corrigir trabalhos, etc),
  • picar o ponto para estarem as horas bem contabilizadas e, assegurando sempre as horas de contacto, recusar-se a trabalhar mais que as o horário semanal contratado;

Picando o ponto e não levando trabalho para casa, assegurando apenas as aulas e parando de trabalhar quando o tempo restante ultrapassasse o horário semanal contratado, estaríamos a controlar as horas de trabalho que cada professor realiza, o que provaria de uma vez por todas de que lado está a razão (e tudo me diz que está do lado dos professores que estão a fazer greve, porque ovelhas negras que não se preocupam com o seu trabalho existem em todas as classes e não devem ser tomadas pelo grupo).

Ao exigir condições materiais para poderem realizar o trabalho na escola, desde computadores, salas com secretárias e cadeiras com condições para trabalhar várias horas sentados, equipamento e folhas para poderem fotocopiar o material didáctico (em vez de o pagarem do próprio bolso ou deixarem na papelaria para os alunos pagarem as fotocópias), estariam a demonstrar a falta de condições que ainda existe em muitas escolas.

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Participação política

a 7 de Maio de 2013

Quando não se ensina nem incentiva as pessoas a lerem a Constituição da República Portuguesa, como podemos nós esperar outra coisa que não a mediocridade política actual? Como podemos nós esperar que haja um projecto político credível, de  prosperidade,  justo, fraterno e constitucional com apoio popular? Como podemos esperar que se lute contra a corrupção quando quem a pratica não se sente mal por o fazer e muita gente olha para o lado? Como podemos esperar que sem educação cívica na escola e em casa Portugal seja um país rico e de uma maioria esclarecida?

Menos ficção, menos telenovelas, menos tempo gasto em superficialidades, mais leitura sobre política, ideologias, economia, cidadania e mais discussão filosófica recorrendo às regras da boa argumentação, espírito crítico sem dogmas e acima de tudo uma forte componente dialéctica.

O que temos que fazer? É certo que também é preciso relaxar, descontrair e que haja diversão após um dia de trabalho. Mas temos que ser disciplinados, temos que arranjar tempo para a participação política, temos que ser todos nós a elevar a cultura, conhecimento e democracia no nosso país através de associações nos nossos bairros que promovam esta discussão, que promovam o estudo destes temas e a procura por soluções que assegurem a igualdade de oportunidades, essencial para um país próspero, essencial para uma população fraterna e que rema no mesmo sentido, partilhando de forma justa os ganhos dessa caminhada.

Contra mim falo, mas estamos numa altura em que há que dizer basta. Temos que participar dentro e fora dos partidos políticos para que possamos elevar o seu nível e o nível do nosso país. A participação política local é essencial e se for feita em associações/encontros locais, fora dos partidos,  encontra-se uma forma de atrair mais pessoas que não se queiram identificar com este ou aquele partido mas queiram participar.

O que vamos fazer nós? Quantos de vós investiriam 1 ou 2 serões por semana em encontros destes?

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