Não vou poder votar nas legislativas, o que me deixa triste e um pouco abalado.
Irei mudar-me para Londres esta semana, indo viajar para a capital inglesa no Sábado, onde começarei a trabalhar. Como tal dirigi-me à minha Junta de Freguesia para saber como poderia exercer o meu direito ao voto. É com espanto que me informam que apenas poderei votar se me dirigir à assembleia eleitoral onde actualmente estou registado (Santo António dos Olivais em Coimbra) e indicam-me um livrinho da Comissão Nacional de Eleições (CNE) onde se pode ler o seguinte na página 6:
12. No dia das eleições estou de férias ou em trabalho longe da minha residência habitual: posso votar antes do dia das eleições?
Não. O voto antes do dia das eleições é uma excepção à regra do voto presencial na assembleia eleitoral e só é permitido a grupos restritos de eleitores.
Apenas podem votar antecipadamente militares, agentes das forças de segurança, trabalhadores marítimos, aeronáuticos, ferroviários e rodoviários de longo curso, e os membros das selecções nacionais que estejam impedidos de se deslocar à assembleia de voto nas circustâncias previstas na lei.
Podem ainda votar antecipadamente eleitores presos e os doentes internados.
Decidi ligar então para a linha verde do CNE, tendo sido encaminhado para o departamento jurídico onde me confirmaram que assim era e não poderia votar antecipadamente ou na embaixada/consulado porque o período de recensamento nos mesmos termina 60 dias antes do acto eleitoral.
Ora eu apenas há alguns dias tive a confirmação do meu contrato de trabalho em Londres, pelo que não podia de forma alguma recensear-me, tendo no entanto que começar a trabalhar em Londres nesta semana anterior às eleições legislativas. Eu nem quero votar antecipadamente, se quiserem voto no consulado, eu apenas quero votar sem ter que dispender centenas de euros em viagens.
E assim se toma consciência que há cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª. Quem tem dinheiro e disponibilidade horária para uma visita relâmpago a Portugal apenas e só para votar e quem não o tem. Há aqui claramente uma grosseira falta de respeito pelos direitos constitucionais das pessoas ao não ser considerada esta excepção como são consideradas outras.
Enviei uma mensagem por correio electrónico aos partidos assim como a algumas personalidades políticas, no entanto devo dizer que não tenho grandes esperanças. Quando se debate a abstenção, é desmotivador deparar-me com esta situação.
Haja paciência e persistência para resistir a tanta agressão quando apenas se quer ser um bom cidadão.
Por vezes os políticos parecem ser bipolares: quando estão na oposição criticam algo, que vão fazer logo que chegam ao poder e voltam a criticar quando voltam para a oposição. O mais estranho é a população permitir este circo, hipocrisia e falta de coerência (aliás, não é nada estranho…).
A venda da rede básica de telecomunicações à Portugal Telecom (PT) por 365 milhões de euros, quando o valor contabilístico da mesma era, à época, de 2,3 mil milhões de euros, foi uma das formas encontradas por Ferreira Leite para controlar o défice português em 2002. A urgência em encontrar receitas extraordinárias, à imagem do que viria a acontecer no ano seguinte com a venda de créditos fiscais ao Citigroup - por cerca de 10% do seu valor - pressionou o governo a fechar este acordo com a operadora de telecomunicações.
(…)
No comunicado do Conselho de Ministros (PSD-CDS) de 11 de Dezembro de 2002, onde foi tomada a decisão, lê-se porém que a operação “representa não apenas uma evolução natural do mercado das telecomunicações nacionais, como constitui uma medida de boa gestão financeira do Estado“.
(…)
PSD reage A líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, contestou ontem as afirmações de Henrique Granadeiro sobre a venda da rede fixa à Portugal Telecom [ver texto ao lado]. “A decisão política já estava tomada pelo governo socialista do engenheiro António Guterres quando cheguei ao Ministério das Finanças”, afirmou em reacção à notícia do i.
Porém, fontes ligadas à PT e ao regulador das comunicações, a Anacom, que estavam em funções em 2002, garantiram ao i que, mesmo herdando uma decisão política como a venda da rede fixa, a ministra das Finanças eleita em Abril de 2002 poderia facilmente ter renegociado ou cancelado a operação, sem custos para o Estado.
E assim andamos nós. Prefiro nem falar muito do caso PT/TVI, onde mais uma vez assistimos à hipocrisia de pelo menos parte da oposição. Ou é porque sabia, ou é porque não sabia, ou era porque autorizava ou era porque vetou… Haja paciência, criticam o que está bem e ou que está mal, parece que andam simplesmente a mandar o barro à parede e a disparar em todas as direcções a ver se acertam alguma (que nem é muito díficil de conseguir, há muito por onde criticar com razão).
O i e a Euronews dão conta de um documento secreto do Ministério do Interior Iraniano, apresentado no Parlamento Europeu em Bruxelas por cineastas iranianos, que atribui a vitória nas eleições ao candidato da oposição Mousavi com 19 milhões de votos, contra 13 milhões para Karoubi e apenas 5 milhões para Ahmadinejad (que foi declarado vencedor).
A veracidade do documento não foi, até agora, comprovada. No entanto, segundo o Guardian, o responsável pela fuga deste documento morreu, em circunstâncias suspeitas, num acidente de viação.
A ReadWriteWeb dá conta de um estudo, realizado por dois economistas (Felix Oberholzer-Gee e Koleman Strumpf) da Harvard Business School e da Universidade do Kansas, onde, entre outros assuntos, se argumenta que a sociedade sai geralmente mais beneficiada que prejudicada com leis de direitos de autor mais brandas e com partilha de ficheiros.
Um dos mitos que é desmontado é o de que a cada download corresponde a uma compra perdida. Também é referido que a disponibilização de músicas gratuitamente levou a um aumento de interesse na compra de leitores digitais (vulgo, leitores de MP3).
Apesar de 65% dos inquiridos admitirem não terem comprado CDs por terem acesso gratuito a músicas, 80% diz ter comprado CDs exactamente pela mesma razão.
No entanto os dois economistas não se focam tanto nas perdas da indústria mas sim na produção musical (cujo volume e duplicou desde 2000) colocando em causa o argumento que a partilha de ficheiros poderá penalizar a mesma.
Esperemos que este estudo seja lido por muita gente, especialmente artistas e legisladores.
São os pequenos actos de bondade, razão e altruístas que mantém viva a esperança que um dia ainda nos possamos dar todos bem.
Apoiantes de Mir Hossein Mousavi tentam acalmar outros manifestantes enquanto auxiliam um polícia anti-motim espancado durante a manifestação na Rua Valiasr em Teerão a 13 de Junho de 2009
Apoiantes de Mir Hossein Mousavi ajudam a evacuar um polícia anti-motim ferido durante as manifestações em Teerão a 13 de Junho de 2009
Convém não esquecer que estes eram os polícias que os estavam a agredir. Podem consultar mais fotos em Iran’s Disputed Election @ Boston.com .