São Paulo, 2 out (Lusa) - O acordo ortográfico entre os paÃses lusófonos é “inútil e desnecessário” e não terá qualquer influência no papel da lÃngua portuguesa em nÃvel internacional, disse nesta quinta-feira à Lusa o mais conceituado professor de português do Brasil.
Salientando que a implantação do acordo ortográfico supera “de longe” os eventuais benefÃcios que dele podem advir, Pasquale Cipro Neto defendeu que o documento não terá “qualquer influência sobre o papel da lÃngua portuguesa no cenário internacional”.
“Certamente não é pelos pês e cês que Portugal emprega em ‘adoptar’ e ‘direcção’ ou pelas outras minidiferenças entre a grafia brasileira e a lusitana que a LÃngua Portuguesa não tem projeção no mundo, se é que de fato não tem”, salientou.
O professor disse igualmente que o acordo ortográfico entre os paÃses de LÃngua Portuguesa é “uma grande bobagem, inútil, desnecessário“.
“Parece que os responsáveis por ele se esqueceram do que aconteceu com a reforma de 1971, que até hoje não foi totalmente absorvida. Basta ver os cardápios ou ‘ementas’, em que ainda se lê ‘môlho’, por exemplo”, afirmou.
“Não ficarei surpreso de Portugal não o colocar em prática. Aliás, sonho com isso. Seria maravilhoso se isso ocorresse“, realçou.
No Brasil, a reforma ortográfica foi promulgada segunda-feira, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa cerimônia solene na sede da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro.
O acordo ortográfico entrará em vigor no Brasil a partir de janeiro de 2009, inicialmente nos documentos oficiais.
As mudanças serão adotadas de forma gradual, nos livros escolares, em 2010, sendo obrigatórias a partir de 2012.
Professor desde 1975, Cipro Neto é colunista de diversos jornais brasileiros, autor de livros e apresentador do programa “Nossa LÃngua Portuguesa”, transmitido por emissoras de rádio e de televisão.
na Lusa
Não só deste lado há quem ache o acordo desnecessário e as razões sem grande razão de ser.
Gostaria de apontar este excelente texto de António Emiliano intitulado “Obrigatoriamente facultativo: como explicar o inexplicável caos desacordortográfico?“. Sem recorrer a elaborados argumentos, mostra-nos de forma simples e directa, incoerências gritantes resultantes deste Acordo, que não podem ser de modo algum ignoradas.
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