A sociedade tem dificuldade em reconhecer os seus erros e procura encaixar os factos, selectivamente, na sua solução pré-cozinhada, o que a leva a cometer os mesmos erros vezes sem conta. A História é cÃclica e nós teimamos em não aprender com os erros, adorando falsos deuses ideológicos com uma fé cega.
Os culpados materiais devem ser encontrados e punidos, mas os polÃticos das últimas décadas também têm culpa no cartório.
A verdade é que foi esta sociedade que permitiu que pessoas crescessem com a (falta) de educação que vimos nos últimos dias em Londres. Não foi um motim por motivos polÃticos, não foi um motim pela sobrevivência, foi um motim por falta de valores, falta de educação, falta de perspectivas e consumismo.
Não existe um perfil comum, são desempregados, empregados, estudantes. Algumas são pessoas a quem foram dados os incentivos incorrectos, a quem muitas vezes é melhor ter empregos a tempo parcial ou não ter emprego qualquer a ter um emprego a tempo inteiro devido à forma como são calculados os subsÃdios a serem entregues. Outras são pessoas que tendo emprego, recebem valores que, tendo em conta o custo de vida em Londres (onde ainda conseguem arranjar emprego), não é o suficiente para almejarem subir na vida. Outros são pessoas que simplesmente acham-se no direito de receber sem dar nada em troca.
Cortar nas ajudas sociais não é solução, apenas levaria a que cenas como aquelas fossem mais frequentemente e, mesmo que fossem trazidos à Justiça, seriam colocados em prisões (cujos custos todos cobrimos).
É preciso dar os incentivos correctos à s pessoas. É preciso não deixar que a inactividade se instale no espÃrito, que se viciem em receberem dinheiro sem darem algo em troca. É preciso que, não havendo emprego nem possibilidade imediata de criação dos mesmos, os subsÃdios sejam dados em troca de trabalho comunitário, a tempo parcial, para que possam envolver-se mais na sua comunidade e contribuir para a melhoria da mesma, dar valor ao trabalho e aos ganhos que se conseguem (quer monetários, quer humanos). É preciso dar perspectivas de vida, mas também ensinar o valor da disciplina e respeito, desde que entram nos infantários, passando pelo ensino básico e depois Universidade (onde é preciso assegurar que ninguém, com a capacidade para evoluir nestas instituições, fica de fora por motivos financeiros). É preciso educar crianças e pais, porque só assim podemos esperar um futuro melhor que o presente e no qual todos participam na sua construção e usam os processos democráticos para acabar com a injustiça social e económica, acabar com o abuso daqueles que tomam a sociedade como refém através do medo (social e económico), utilizando assim recursos vitais à construção de uma melhor sociedade.
É preciso esquecer todos os parágrafos anteriores e ir para o terreno, em força, e observar.
Podemos reduzir estas pessoas a mentecaptos, são-no, mas verdade é que são os mentecaptos que a nossa sociedade tolerou, que os polÃticos e profissionais inebriados de ideologia criaram com o seu ping-pong de teorias muito bem enquadradas naquilo que julgam ser a realidade e a quem a dialéctica é estranha.
Está na altura dos dirigentes dos paÃses sujarem as mãos, saÃrem das suas torres de marfim e teorias perfeitas e adoptarem um modus-operandi ágil, serem os porta-estandarte de todos e estarem na linha da frente a aprenderem e detectar os problemas antes que estes se transformem em dÃvida social com juros impossÃveis de aguentar.
Está na altura da Democracia ser libertada.
Londres, 11 de Agosto de 2011

2 comentários
1 The riots // Ago 11, 2011 at 21:45
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2 Tiago Perdigao // Ago 11, 2011 at 23:11
Excelente post sócrates!
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