Sócrates, o verdadeiro

Porque o outro é José!

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A minha primeira visita a um General Practicioner

a 10 de Novembro de 2011

Fui ao meu General Practitioner (é suposto ser Médico de Família) aqui do burgo.

Ao entrar cumprimentou-me e perguntou-me então ao que eu vinha. Respondi que vinha por causa de uma cicatriz que tinha na testa que tinha crescido nos últimos meses, mas que por acaso só na última semana voltou ao tamanho normal. Ele dá uma vista de olhos, diz que é uma verruga (era tecido cicatrizado de quando bati uma vez com a testa no chão), não lhe parecia que pudesse ter problemas, fechou a questão logo ali.

Depois disse que queria fazer análises ao sangue, que nunca fiz, nem sabia o meu tipo de sangue e era para ver se está tudo bem. Perguntou-me se me sentia mal ou assim. Disse que não. Então ele diz que pelo NHS (SNS) não pode mandar fazer, só quando há algum sintoma.

Eu começo a franzir o sobrolho, e volto a dizer que nunca fiz, que se algum dia acontecer alguma coisa como é que vão saber o meu tipo de sangue. Ele responde que fazem o teste na hora. Até pode ser, mas só para quem não sabe, se um trabalhador da saúde aqui se picar numa agulha usada num doente, tem que pedir autorização ao doente para retirar sangue para saber se a pessoa tem alguma doença grave contagiosa. O doente, ou mandatário legal, pode declinar. Espero que se algum dia me estiver a esvair em sangue e não houver o tipo universal para a transfusão, que não me tentem pedir autorização para retirar sangue e fazer os testes (eu já não digo nada…).

Falei-lhe também sobre ter filhos e os problemas com o factor Rhesus, ao que ele responde que a injecção é dada logo na mulher no primeiro filho dependendo do tipo de sangue da mãe (pelos vistos nem sequer querem saber o factor do pai).

Então disse-lhe que não me importava pagar, pedindo para me dar uma ideia do preço. Diz que é por volta de £35-£40. Digo que quero então fazer, ao que ele me volta a perguntar quais as análises que quero. Começo a pensar para comigo “Não era suposto me estares a ajudar? Já te disse que queria uma análise geral para ver se estava tudo bem.“, e respondo que quero saber o tipo de sangue, níveis de açúcar… Ao que ele me interrompe para dizer que quanto mais adiciono, mais me vai custar.

A minha paciência começa-se a esgotar com a informação confusa sobre o preço (então há bocado quando lhe disse que queria uma análise geral era um preço, agora pode ou não ser outro). Ainda lhe pergunto quanto custa cada tipo de teste, diz que são £10-£15. Digo que só quero tipo de sangue, é fim do dia e não me apetece fazer contas de cabeça.

Comento que acho estranho, que em Portugal se faz até para prevenção de vez em quando, e o NHS não fazer análises de sangue de ano a ano ou de dois em dois anos, também para prevenir, porque nem sempre os sintomas se dão logo que se tem problemas, deixa-me surpreso. A resposta foi que são caras e que também não se fazem TACs de rotina que até podem detectar não-problemas e trazer stress. Tento esboçar uma resposta que retirar sangue é um bocado diferente de sermos bombardeados com Raio-X, mas neste momento só me apetece ir embora antes que comece a mandar aquele gajo à merda de tão inútil que ele é, por isso o final da frase é dito em surdina.

Finalizo a dizer tinha tido várias vezes escarlatina quando era pequeno e em electrocardiogramas que fiz quando praticava desporto, tinham detectado o que poderia ser um “pequeno” sopro. Ele aí lá disse que sim, que valia a pena ver só para tirar dúvidas.

Portanto, fui ao médico de família pela primeira vez no Reino Unido, nem uma pergunta sobre antecedentes familiares, problemas anteriores que eu tenha. História clínica deve ser um mito para aquele médico. Perda de tempo.

etiquetas: saúde

1 comentário

  • 1 Tiago Macedo // Nov 10, 2011 at 20:58

    A minha experiência em Espanha não podia ser mais diferente. Quando me inscrevi no sistema nacional de saúde, perguntaram-me imediatamente se não queria marcar uma consulta para ficar a conhecer o médico de família (não será o termo certo mas o conceito é semelhante) e recolher alguma informação.

    Na dita consulta - que por sinal começou antes da hora marcada(!) - o médico registou todo o historial da família, mandou-me fazer análises sanguíneas e um electrocardiograma (tudo coberto pelo “SNS”). Ainda para mais foi a primeira vez que disse a um médico que medicamento costumava tomar para as alergias e imediatamente me deu uma receita “preventiva” (sem ver análises de alergias) para poder comprar numa farmácia num prazo de um ano.

    Já na Holanda era tudo uma complicação e o seguro de saúde (100€ / mês) é obrigatório…

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